Cartas que o Vento Guardou
O vento guarda cartas de um tempo distante,
Escritas nas folhas da velha estação;
São sonhos que dormem num peito viajante,
Memórias bordadas no fio da recordação.
Nas mãos enrugadas, o tempo desenha,
Caminhos vividos, histórias de amor;
Cada ruga esconde uma antiga senha,
Cada silêncio revela uma flor.
Há cartas sem selo, sem data ou destino,
Que a brisa escondeu no fundo do quintal;
Nelas, o jovem que fomos, menino,
Ainda corre descalço, feliz, pelo chão natal.
Envelhecer é ler o que a vida escreveu,
É rever os caminhos sem medo de olhar;
É colher cada fruto que o tempo nos deu,
É saber que há sementes prontas para brotar.
E quando o vento soprar no poente,
Levando as lembranças por sobre o jardim,
As cartas guardadas falarão docemente:
O tempo envelhece o corpo, mas não o amor que vive em mim.

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