Evangelizando na Estrada do Cemitério
O sol ainda começava a aparecer quando seu Anselmo, 76 anos, ajeitou o chapéu, pegou a Bíblia e saiu para mais uma caminhada. Ao seu lado estavam dona Zulmira, 73, conhecida por sua língua afiada, e seu Agenor, 81, que tinha uma memória extraordinária, embora, às vezes, esquecesse onde havia deixado os óculos — geralmente, sobre a própria cabeça.
Naquela manhã, os três decidiram evangelizar na estrada que dava acesso ao cemitério municipal.
— Escolhemos um lugar interessante para falar da vida, não acham? — brincou Zulmira.
— É verdade! Aqui ninguém tem pressa de chegar, mas todos sabem que um dia terão destino certo! — respondeu Agenor, arrancando gargalhadas dos companheiros.
Com Bíblias nas mãos, começaram a abordar os passantes. O primeiro foi um homem apressado, que, ao ouvir o convite, respondeu: — Hoje não posso, estou atrasado para um compromisso!
Anselmo sorriu e disse: — Meu amigo, cuidado! Há compromissos que podemos remarcar, mas não podemos deixar de nos preparar para a eternidade. O homem diminuiu o passo, voltou e aceitou conversar.
Pouco depois, um motorista parou o carro e perguntou: — Vocês estão vendendo terrenos aqui perto?Zulmira, sem perder a oportunidade, respondeu: — Não, meu filho! Estamos oferecendo um endereço muito melhor: a morada eterna com Cristo. E essa não precisa de escritura! O motorista riu, mas acabou recebendo um folheto evangelístico.
Enquanto caminhavam, Agenor encontrou um antigo conhecido, que não via havia quase quarenta anos. Os dois se abraçaram e começaram a recordar os tempos de juventude, os bailes, as serenatas e as travessuras que faziam. — Naquele tempo, eu corria atrás das moças! — contou Agenor.
Zulmira interrompeu: — E hoje corre atrás dos remédios! O riso tomou conta da estrada. Mas, entre risadas e lembranças, os três não esqueciam sua missão. Falavam de arrependimento, fé, perdão e da esperança da ressurreição em Cristo.
Ao final da manhã, Anselmo fechou a Bíblia e comentou: — A idade nos ensina uma coisa: não sabemos quantos dias ainda temos, mas sabemos que cada dia pode ser uma oportunidade de servir a Deus.
Zulmira completou: — E enquanto houver fôlego, haverá oportunidade de anunciar o Evangelho!
Os três seguiram de volta para casa, mais cansados nas pernas, mas renovados no coração. Naquela estrada onde tantos pensavam apenas na morte, três pessoas idosas haviam anunciado a vida. Porque quem tem Cristo no coração não precisa esperar o fim da caminhada para falar sobre a eternidade.
Matéria: Núcleo de Produção da Repapi para o Portal idosonews.com.br / Fonte e Criação: RepapiNet / Imagem IA: Arquivo da Repapi
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