Há tardes em que a sala de estar parece grande demais e o silêncio, pesado. Com o passar dos anos, o ritmo da vida desacelera. Os filhos ganham o mundo, o barulho da casa cede lugar à calmaria e, nas longas horas de vigília, perguntas antigas voltam a ecoar. É nessa quietude que, por vezes, sentimos o silêncio de Deus. Clamamos por uma resposta, por um alívio ou por um sinal, e parece que o Céu fecha as cortinas e veste-se de calmaria.
No entanto, a sabedoria que a maturidade nos traz ensina que o silêncio divino não é ausência; é, muitas vezes, uma escola. Quando éramos jovens, queríamos respostas imediatas, passos marcados e barulho nos dias. Hoje, com cabelos brancos e cicatrizes na alma, sabemos que as maiores raízes de uma árvore crescem no escuro da terra, sem que ninguém veja.
Deus pode estar em silêncio porque confia na nossa fé. Ele nos olha não como aprendizes assustados, mas como veteranos da jornada, capazes de sustentar a confiança mesmo sem ver o mapa completo. Afinal, a velhice é o tempo de praticar a mais bela das artes: a entrega.
Se hoje o alto dos seus dias traz mais dúvidas do que certezas, descanse. O silêncio dEle é o abraço de quem já disse tudo o que precisava na cruz e nos salmos da vida. Confie: o que não se ouve com os ouvidos, acolhe-se com a paz do coração.
O que tem trazido mais paz aos seus dias de silêncio e reflexão ultimamente?
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