Setenta e Quatro Anos: Até Aqui o Senhor Me Ajudou
Setenta e quatro anos... Quando pronuncio essa frase, não penso apenas no tempo que passou. Penso na estrada percorrida, nas marcas deixadas pelo caminho, nos encontros que se tornaram memórias, nas lágrimas que regaram sonhos e nas alegrias que fizeram a caminhada valer a pena.
Olho para trás e percebo que a vida nunca foi uma estrada completamente reta. Houve curvas que não compreendi, subidas que pareceram longas demais e caminhos que, em determinados momentos, eu não sabia para onde conduziam. Houve dias de sol, quando tudo parecia florescer, mas também houve tempestades. E foi justamente nelas que aprendi que Deus não promete ausência de dificuldades; Ele promete presença.
Aos 74 anos, posso olhar para a minha história e repetir, com convicção, as palavras de Samuel: “Até aqui nos ajudou o Senhor.” Não cheguei até aqui apenas pela força dos meus braços, pela experiência adquirida ou pelas escolhas que fiz. Cheguei sustentado pela graça. Muitas vezes não percebi, mas havia mãos invisíveis me amparando quando meus próprios pés pareciam não ter forças para continuar.
São 74 anos de aprendizados. Aprendi que algumas perdas ensinam mais do que certas conquistas. Que algumas lágrimas revelam verdades que o sorriso esconde. Que o tempo não apenas envelhece o corpo; ele também pode amadurecer a alma. Aprendi que a verdadeira riqueza não está somente naquilo que acumulamos, mas nas pessoas que Deus coloca ao nosso lado e nas histórias que construímos juntos.
E, entre tantos presentes recebidos, agradeço especialmente pela família. Pela minha esposa, Dena, companheira de tantos capítulos; pela minha filha, Barbara, que representa uma parte preciosa da minha história; e pela minha neta, Eduarda, que traz a alegria de olhar para o futuro. Cada uma, à sua maneira, tornou a caminhada mais bonita.
Também agradeço pelos amigos, pelos irmãos na fé, pelas pessoas que passaram pela minha vida e deixaram alguma lição. Alguns permaneceram; outros seguiram novos caminhos. Mas todos, de alguma forma, ajudaram a escrever páginas dessa história que hoje completa 74 anos.
Hoje, portanto, não celebro simplesmente mais um aniversário. Celebro 74 anos de misericórdia. Celebro a fidelidade de Deus nos dias bons e nos dias difíceis. Celebro as portas que Ele abriu e até aquelas que fechou, porque muitas vezes só compreendemos depois que determinados “nãos” também eram respostas de amor.
Aos 74, não quero viver preso ao passado, embora jamais queira esquecer de onde vim. Quero olhar para frente com a mesma confiança de quem aprendeu que o amanhã continua pertencendo a Deus. Ainda há páginas a escrever, pessoas a abraçar, palavras a compartilhar, sementes a plantar e sonhos que podem florescer. Enquanto Deus me conceder vida, quero continuar servindo, aprendendo, amando e testemunhando que vale a pena caminhar com Cristo.
Se hoje tenho alguma certeza, é esta: não fui eu quem sustentou a minha história. Foi Deus quem me sustentou. Por isso, diante dos meus 74 anos, não digo apenas: “Obrigado pela vida.” Digo, com o coração cheio de gratidão: Obrigado, Senhor, por cada amanhecer, cada livramento, cada lágrima, cada sorriso, cada pessoa e cada oportunidade. Obrigado porque, quando eu não sabia o caminho, Tu sabias. Quando minhas forças diminuíram, Tu me sustentaste. E quando pensei que estava sozinho, Tu permaneceste ao meu lado.
Setenta e quatro anos depois, continuo caminhando. E, olhando para trás, posso dizer: Até aqui o Senhor me ajudou. E olhando para frente, posso acrescentar: O Deus que me trouxe até aqui continuará comigo até o fim. Rev.Pinho Borges (18.09.2026)
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